#BXD: Quando Arte e Desenvolvimento Sustentável andam juntos

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Finalmente! Nesta quarta-feira (17), aconteceu a estreia do documentário “BXD – Baixada Nunca Se Rende, no Cine Odeon, Rio de Janeiro. Dirigido pelo italiano Christian Tragni e a brasileira Juliana Spinola, o filme apresenta ao mundo o projeto-piloto “Música para Avançar o Desenvolvimento Sustentável”, fruto da parceria entre o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o primeiro coletivo de músicos patrocinado pelo ONU, o BXD – grupo nascido em Belford Roxo e que se reúne no Centro Cultural Donana, espaço importante de representatividade cultural na cidade.

Quem pôde comparecer ao evento, teve a oportunidade de prestigiar a uma noite de arte e ativismo. É fantástico quando cultura e questões sociais são trabalhadas em conjunto, pois é a melhor forma de tornar popular pautas que, no geral, não são do interesse das grandes massas, mas que seriam de suma importância que fossem.

Durante o evento, também foi feita a distribuição de um CD promocional auto-intitulado com o nome do coletivo. Ao todo, são 7 faixas autorais que abordam temas indispensáveis para a nossa sociedade, como racismo, violência policial e ambientalismo. Quanto ao disco, é inegável que os artistas da Baixada possuem um potencial artístico insuperável, assim como qualquer outro que vem de uma região periférica. Artistas se inspiram em sua realidade, e a realidade de quem mora na Baixada é repleta de desafios. Quando esses desafios se tornam música, essas questões sociais são transmitidas para aqueles que escutam, fazendo com que esses assuntos fiquem em evidência.

 

18486260_10209426762688578_222897065396330554_nFoto de Brenda Hada.

 

Como morador da Baixada, poder assistir os locais por onde que eu passo todo dia representados no cinema mais importante da cidade maravilhosa foi como ter um sonho realizado. O filme não se trata de uma visão pessimista demais sobre a Baixada, mas também não tem uma visão tão romantizada: trata-se de visão sincera do que ela é. Que assim como em outros lugares, temos os nossos problemas, os nossos desafios, mas, sobretudo, temos esperança. É sobre essa esperança que o filme retrata: que acreditamos em um amanhã melhor e que não desistiremos até ele chegar.

 

Confira o teaser:

 

Empoderando Vidas

Por Larissa Merheb

Jovem Líder - Na Pista

Quarta-feira, 17 de maio de 2017, o início de uma agenda que pode mudar vidas em todos os aspectos, em escala regional, nacional e global. O Observatório Internacional da Juventude promoveu seu primeiro evento no ano, uma vitória para juventude de todos os lugares do mundo.

A terceira edição do programa Empodera Youth aconteceu na Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, em Botafogo, Rio de Janeiro. Um espaço tão estigmatizado por ser inflexível e teoricamente pouco aberto ao público foi ocupado por uma juventude que reconhece seu papel no mundo e busca a oportunidade de fazer a diferença onde e como puder, começando por si. Thiago Bottino, Coordenador da Escola de Direito, declarou na cerimônia de abertura que atividades como essa são fundamentais e fomentadas na FGV.

Viver num momento político-histórico no qual a ameaça a direitos básicos e constantes golpes a democracia são realizados  deliberadamente requer preparação, exige uma pronta resposta a desafios e a capacidade [é até paixão] em resolver problemas. Mudar o mundo só é utopia se a juventude for tirada da equação, sem a mesma, perde-se o sentido do movimento e a radicalidade necessária de quem não se vende, não abre mão de si e não deixa ninguém para trás.

No primeiro painel, Política Internacional e as Juventudes, foram apresentados dados relevantes da pesquisa realizada por Mônica Buckman, professora da UFRJ e cátedra da UNESCO para Desenvolvimento Sustentável, que ilustrou as previsões da economia mundial para 2030 e 2050 e evidenciou que se as relações são estabelecidas em novas bases. É crucial atentar para o processo e pensar nas mudanças consequentes. O Professor Evandro, representante do Brasil na China para interação com o BRICS, enfatizou que é importante estabelecer uma política externa que se aproxime do Oriente. 

Painel sobre PI e Juventudes
Painel sobre Política Internacional e Juventudes

Beata Angélica, representante do Consulado Geral dos EUA, de forma brilhante, contou sobre a trajetória das mulheres na política estadunidense, seus desafios e usando o tema como plano de fundo, frisou a importância de utilizar o recurso da diplomacia pública como forma de alcançar o desenvolvimento da democracia. Ficou a cargo da Vice-Presidente do OIJ, Ana Carolina Alhadas, falar das experiências de ser jovem, mulher e lutar para ocupar os espaços de liderança e reforçou o compromisso da organização em apoiar a juventude em suas diversas formas.

Apenas uma juventude conectada munida do conhecimento de mundo proporcionado por esse tipo de evento, pode, finalmente, extrapolar fronteiras e compreender que das novas rotas de comércio e de integração mundial que interferem nas diferentes sociedades, nos produtos e ideias consumidas, às relações políticas internas e externas dos países, alguém está sendo afetado em maior ou menor grau e que não existe desenvolvimento pleno às custas de gerações inteiras e sem a participação da juventude.

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Jovens participantes do Empodera Youth III

Anna Cunha, oficial de programa do UNFPA no Brasil, que responde pela área de juventude, numa breve entrevista, assim como em sua apresentação, mostrou que a sociedade se organiza numa lógica “adultocêntrica”, ou seja, “as instituições são voltadas para os adultos prioritariamente. Os discursos, a mídia, que de fato prioriza os adultos”, disse. A consequência inesperada e infinitamente custosa desse processo é a incapacidade do jovem de se reconhecer como um sujeito constituído de direitos e protagonismo social. Sendo autônomo ou não, o jovem precisa se apropriar e buscar canais, articular para que por meio de suas trajetórias e pensamentos, esteja nos espaços de decisão e coloque as demandas da juventude em pauta.

Foi recordado também que existe um Estatuto da Juventude, desconhecido pela maioria dos jovens, que cobre onze direitos próprios da juventude, garantidos por lei, que permanecem escondidos. No entanto, como se inclui jovens em espaços como a ONU se esses mesmos exigem experiências prévias avançadas? A representante do UNFPA indica programas como Young Professionals e o Voluntariado Online, que podem abrir portas e consolidar no jovem uma visão de mundo mais inclusiva e empoderada, que saiba seu lugar e no mundo e se enxergue como agente de mudança.

Mudança não tem escala, capacidade de transformação não possui limite geográfico e os conflitos também não. A medida que a globalização avança, insistir em fundamentalismos não soluciona os problemas e não explica as crises que envolvem, por exemplo, os refugiados da guerra na Síria. Os países envolvidos nos conflitos e uma mídia tendenciosa não são capazes de oferecer uma explicação digna, logo, urge que a juventude ouse dizer: esses países se comprometeram em receber qualquer refugiado em qualquer situação, não é favor, é direito. Direito, que por sua vez, precisa ser repensado do ponto de vista de quem está perecendo aos poucos.

Existindo alguém que não tenha acesso pleno aos seus direitos, ninguém está seguro e significa que há trabalho a ser feito. No painel Novos Desafios do Direito Internacional: As Crises e o Refúgio, tais aspectos foram abordados pelo Jovem líder refugiado Adel, o especialista em direitos humanos da FGV, Michael Mohallem e pelo Presidente do OIJ, Daniel Calarco. Posteriormente, ficou à cargo da Doutora Gislaine, da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, contextualizar os desafios reais vividos no dia a dia para possibilitar que os refugiados tenham pleno acesso a seus direitos.

Painel sobre Direitos Humanos
Painel sobre Direitos Humanos

Sim, a juventude possui demandas urgentes e em igual proporção, possui capacidade de solucioná-las, mas não sozinha. O governo não pode fazer nada sozinho, a sociedade civil também não, se a linguagem não for a mesma entre ambos, tudo que se observa são ruídos e é justamente por isso se faz necessária uma lógica de cooperação entre os segmentos. Mas se os tais Objetivos de Desenvolvimento Sustentável já estão definidos em dezessete metas, o que está faltando e como se pode ajudar? O workshop Como Mudar o Mundo, protagonizado por Mônica Villarindo da UN Volunteers, e Lorenzo Casagrande, do Centro Rio+, traçou o comportamento e perfil de um jovem que quer se voluntariar, e explicitou a relevância dos voluntários para uma política global baseada nas ODS, pois as demandas são vastas e o tempo é curto. “Somos a primeira geração capaz de erradicar a pobreza e a última capaz de acabar com as mudanças climáticas” (Bank In-Moon – Secretário Geral da ONU). Alcançar as metas só é possível com o envolvimento de todos.

OIJ - UNV - RIO+
Representante UNV – OIJ – Representante Centro Rio +

Que a juventude abrace iniciativas que transformam o mundo e comece a transformação em si, empoderando-se de uma realidade que pode ser melhor.

Os eventos, oportunidades e informações sobre o OIJ estão na seguinte página:

https://www.facebook.com/observatoriointernacionaldajuventude/

Fique de olho!

Sobre educação de qualidade e Ciência Aberta, um bate papo com Helena Freitas e Maria Fernanda Rollo

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No dia 22 de março, quinta-feira, o Centro Rio+ (Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável) recebeu a visita da Secretária de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Portugal, Maria Fernanda Rollo, e da Reitora da Universidade de Coimbra, Helena Freitas, no BRICS Policy Center, Rio de Janeiro.

O motivo da vinda delas ao Brasil foi cumprir uma agenda de planos para a ciência e tecnologia no Ensino Superior e dialogar com conselhos sobre o projeto Ciência Aberta na Fundação Getúlio Vargas, com a participação de várias instituições preocupadas com o desenvolvimento no país, contando principalmente com a presença da juventude.  Além disso, elas aproveitaram para conhecer o Centro Rio + de perto.


“É fantástico ter uma estrutura dessas para promover o desenvolvimento sustentável, aqui, no coração da cidade, já que eles têm desenvolvido projetos que é de grande importância para um jovem ter um futuro diferente, em que todos tenham mais oportunidades, que sejam mais críticos para conquistarem espaços, promovendo a diversidade, bem-estar — que é um atributo primordial para essa agenda” declarou Helena de Freitas.

Sobre o Ciência Aberta, a secretaria destacou que o acesso ao conhecimento e a ciência é fundamental pois é necessário uma sociedade melhor e mais esclarecida e que dessa forma contribuirão na construção de um mundo mais igualitário e uma comunidade mais humana onde haja o bem estar e a democracia para todos. Um dos fatores de maior reconhecimento de mobilidade social e democratização em um país é a garantia da educação e o fácil acesso a sua formação.

Um agrupamento de características formam um objetivo central nas políticas públicas, a união do saber, da cultura e da ciência mostram que são conhecimentos fundamentais e de grande importância para o desenvolvimento pessoal na construção de pensamentos e senso crítico, algo que não beneficia a um indivíduo apenas, como também pode vir a beneficiar todos a sua volta na adoção de boas práticas.

Vale ressaltar a força de incentivo que a sociedade e os veículos ligados a educação e a sabedoria tem que associados a uma forma de inovação podem gerar na vida de uma pessoa, por isso é necessário responsabilidade e valorização compartilhamento do conhecimento.

O projeto Ciência Aberta é basicamente isso, um compartilhamento de ideias e conhecimentos entre a sociedade, a comunidade científica e as empresas para tornar fácil o acesso a investigações científicas, dados e análises a fim de promover a acessibilidade para quaisquer níveis de uma comunidade em geral , além de proporcionar um amplo reconhecimento dos impactos sociais e econômicos científicos.

A execução da conduta do Ciência aberta é justamente isso, gerar inúmeras oportunidades na área da criatividade e inovação para estimular o crescimento de novos produtos, serviços e negócios.

Evento Efeito+ promove diálogos sobre educação para cidadania global

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Por Arthur Augusto, Guilherme de Moura e Larissa Merheb

No último domingo, dia 23 de outubro, na Biblioteca Parque Estadual ocorreu o fórum Efeito+, realizado pela AFS e pelo CISVRio, ambos organizações voluntárias, não governamentais e sem fins lucrativos. O evento, que tratava de questões relacionadas à promoção da educação da cidadania global, contou com a presença de 50 jovens do ensino médio da região metropolitana do Rio de Janeiro.

No primeiro bloco, na parte da manhã, palestras motivacionais em relação à promoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável foram ministradas por “AFSers”, protagonistas em sua área de trabalho que possuem experiências em cooperação internacional, que está diretamente relacionada ao ODS 17 (parceria em prol das metas).

Representantes brasileiros e internacionais subiram ao palco para palestrar sobre temas relacionados aos ODS. A respeito da ODS 17, citada acima, Pedro Renan Marcondes, representante da organização ARGILANDO, discursou dando exemplos de como essa integração em prol de um mundo mais sustentável vem sendo praticada na instituição. Explicou que foi adotado um método que consiste em fazer uma boa ação todo dia, durante um ano, resultando em 365 ações individuais que geraram iniciativas muito maiores. Um dos exemplos mais marcantes envolvia a coleta de potes de vidro para armazenar leite materno e doar para mães que não poderiam produzi-lo, bem como o de um design que projetou uma peça para coleta de artigos de higiene pessoal. A fala de Pedro é um ótimo exemplo de que as ODS são praticáveis e demandam engajamento. “É possível mudar o mundo”, disse. Ainda que seu mundo se restrinja ao bairro, escola, comunidade, igreja, ou ao estado. Aos poucos, de forma colaborativa, a mudança se faz presente.

Tal engajamento, no entanto, passa pelas noções de paz e justiça, explicitadas na ODS 16 e explicadas por Ragnar Thorvardarson, Especialista do Ministério das Relações Exteriores da Islândia, que dividiu sua experiência como um AFSer, fazendo conexões com os desafios de seu papel atualmente. É importante ressaltar que sua fala não representa a opinião do governo Islandês, e sim sua própria perspectiva. Ragnar explicou, por exemplo, que é possível sim implementar a cultura da paz e justiça em qualquer lugar, desde que, o diálogo seja usado como método para tal.

Numa entrevista exclusiva, quando questionado sobre como Brasil e Islândia poderiam cooperar na promoção dessa cultura de paz, respondeu que os intercâmbios mútuos são uma grandiosa troca que deve ser fomentada e que já existem estudantes da Islândia que chagam com o objetivo de aprender português e brasileiros que chegam no seu país para o mesmo fim. Finalizando, disse: “Mais cedo, um membro da organização falou conosco em minha língua, que é falada por poucas pessoas e venho para o Rio e conheço alguém que fale minha língua. Creio que essa seja uma das coisas mais interessantes sobre esses intercâmbios”.

Finalizando o ciclo de palestras, houve a contribuição da Dra. Vishaka Desai, Conselheira Especial para Assuntos Globais, acerca do tema do evento: educação global. Explicou que num futuro próximo, a cada quatro profissões, uma exigirá um nível de integração global e potencial multicultural. Disse de forma enfática: “Não temos opção! Precisamos nos enxergar numa escala global”. Tal afirmação nos trás a dimensão da relevância de eventos como este, no qual, cada jovem expressa a necessidade e vontade de ser um cidadão do mundo. Sobre isso, Dra. Desai explicou que para ela, ser um cidadão global significa ter a capacidade de se colocar no lugar do outro, de desenvolver empatia. Sendo ela indiana e tendo feito intercâmbio pela AFS na sua juventude, discursou com propriedade sobre o tema e desejou que cada jovem ali nunca se esquecesse desse ensinamento.

As vantagens de ser cidadã (o) do mundo

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Por Larissa Merheb
Em julho desse ano, em Lisboa, foi realizada a trigésima quarta edição do “Youth Science Meeting”, que reúne jovens cientistas do mundo todo para uma semana de aprendizado e descoberta da maravilhosa capital de Portugal. O evento promove a integração de jovens que fazem a diferença em suas comunidades através da ciência. Num dia inteiro de apresentações, pode-se dizer que todos competem pelos prêmios oferecidos pela organização, que basicamente concedem a oportunidade de apresentar o mesmo projeto em outra parte do mundo. No entanto, dentre quase trinta projetos, apenas quatro conquistam tal oportunidade, porém, não é como se outros se sentissem como perdedores.
O projeto “Carioca Traffic Transmedia Project”, realizado pelo grupo de pesquisa NEPAG (Núcleo de Estudos e Pesquisas Audiovisuais em Geografia) do Colégio Pedro II Campus Realengo II, no Rio de Janeiro, foi selecionado, assim como grandes projetos de outras regiões do país, para representar sua comunidade e mostrar que a juventude brasileira está empenhada em fazer ciência e se conectar com jovens engajados ao redor do mundo.
Ao longo desses dias, a última coisa que importava era o reconhecimento de que seu projeto era o melhor na perspectiva dos jurados, a única coisa que importava é que naquele curto período de tempo seria possível entender os desafios da Jordânia, o protagonismo da Turquia, e as especificidades de tanto outros povos, como o Paquistão, vivendo amilhares de quilômetros de distância no subúrbio carioca. A grandiosidade dessa experiência pode ser subestimada se pensarmos que atualmente vivemos num mundo conectado, no qual o que acontece nesses lugares está ao alcance de qualquer um com contas em redes sociais. Mas a partir de acontecimentos como esse, se torna claro a diferença absurda entre ter conhecimento de um fato e verdadeiramente ouvir o que as vozes protagonistas desse fato têm a dizer. É comum reproduzir falas: “O Brasil está em crise”, ” O Rio de Janeiro é muito violento”, “os portugueses são isso, ou aquilo”, mas é infinitamente diferente colocar estudantes da rede pública carioca, com a rede pública nordestina e mineira, com o ensino privado de São Paulo e Curitiba juntos, frente à frente com o jovens portugueses, belgas, mexicanos, paraguaios etc. E usando a definição de uma escritora nigeriana a qual tenho profunda admiração (Chimamanda Ngozi): “o problema com os esteriótipos não é que sejam incorretos, mas definitivamente são incompletos.”
Esses dias em Lisboa, me trouxeram a clara percepção de que atualmente, nenhum veículo midiático grande dá conta de transmitir tantas vozes e de nos mostrar o que realmente acontece no mundo. Ficamos atolados de meias verdades, caricaturas sobre um povo, uma região e particularmente a que pertencemos.
Pasme-se, ninguém da delegação brasileira sabia sambar (tentamos, com certeza), o brigadeiro deu certo assim como a impecável habilidade de improviso do grupo que lá estava. Porém, para além da descontraída noite de apresentação cultural, o que permanece depois de quase dois meses é a reflexão por trás de cada momento compartilhado. Por uma semana, vivenciei a faceta que mais gostei do que se pode chamar de identidade brasileira, o “jeitinho brasileiro” ganhou um novo significado. Onde tinha um brasileiro, ouvia-se gargalhadas num momento e discussões sobre história, economia e política no outro. Um dos melhores momentos, particularmente, foi quando um colega belga disse algo nesse sentido: “Eu não sabia nada sobre o Brasil e não gostava muito de vocês, mas se você não tivesse puxado assunto naquele dia, talvez nunca conversaríamos, preciso te agradecer por isso.”
Como pesquisadora e uma das jovens cientistas que lá estavam, fazer ciência significa exercitar a capacidade de extrair das experiências cotidianas mais do que elas aparentemente oferecem, é nunca parar de fazer perguntas e permanecer inquieto. É preciso higienizar, trocar e reparar constantemente as lentes que usamos para enxergar o mundo. Admitir qualidades e defeitos para um grupo de pessoas é perfeitamente analítico, um processo natural de alguém que observa, mas nenhuma concepção particular deve impedir que se busque aprender com o outro. A juventude do Paquistão tem o que ensinar, a Jordânia e a Romênia também, assim como todos os outros países lá representados, assim como cada indivíduo que lá estava. É preciso olhar Portugal para se entender o Brasil, é preciso ir fundo nessa história e sair do “blá blá blá” do livro didático.
Não conseguimos nos enxergar sem o outro, em busca de um planeta mais sustentável em todos os níveis. Por um desenvolvimento que não excluí ou deixa pela metade. Lisboa provou que é possível existir diálogo e que a partir daí coisas incríveis surgem, mesmo que seja o clichê sentimento de pertencer ao mundo todo mais do que a si mesma.

Jovens Jornalistas participam do Seminário do PNUD sobre a localização dos ODS no Brasil

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Por Eliésio Moraes, Juliana Carmo e Victor Hugo

“Diálogos sobre o Planeta: Parcerias para o Desenvolvimento Sustentável” foi o tema do seminário que foi realizado na terça-feira (4/10) no auditório de Furnas, no Rio de Janeiro. Promovido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o evento promoveu entre aproximadamente 200 pessoas, incluindo representantes do governo, sociedade civil, setor privado, mídia e academia, debates focados no eixo Planeta da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
O Diretor-Presidente de Furnas, Ricardo Medeiros, o Diretor de País do PNUD no Brasil, Didier Trebucq, o Assessor do Governo do Rio de Janeiro, Pedro Spadale, o Secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental, Guilherme Syrkis, e a Diretora Adjunta do Centro RIO+ do PNUD, Layla Saad, abriram a cerimônia, precedidos pelo discurso de Everton Lucero, do Ministério do Meio Ambiente.
Lucero falou sobre a liderança do Brasil na Agenda 2030 e na implementação do Acordo de Paris do Clima, em que o Brasil, ao lado de 195 países, se comprometeu a reduzir a emissão de gases de efeito estufa em 43% até 2030. “Nós sabemos que o problema é global, que nós não vamos resolver o problema do país ou do estado apenas tomando ações de indicações locais, mas a contribuição para problema global, no contexto que nós estamos operando, nos entendemos que atrairá a atenção do mundo em investimentos de desenvolvimento para um novo patamar”, disse ele.
O ponto mais alto do evento foi a assinatura do acordo entre o PNUD e Furnas, que marca a continuidade de uma parceria que já existe há quatro anos, para apoiar a implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Para Trebucq, é fundamental contar com o apoio das empresas de iniciativa privada. “As ODS são uma iniciativa muito mais ambiciosa do que os ODM, precisamos do apoio de parceria dos nossos setores, não somente do governo, mas da sociedade em si e do setor privado”.
O seminário foi dividido em dois painéis, o primeiro foi voltado para os Desafios Globais, aberto por Rose Diegues, do PNUD, onde ela levantou a contribuição do Programa para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil no eixo Planeta. Em seguida, Alexandre Tofeti, da Agência Nacional de Águas, levantou as suas expectativas sobre Fórum Mundial da Água, que chega a sua oitava edição e terá como sede, pela primeira vez, o Brasil. “Compartilhando Água” será o tema desse ano.
Depois da Oficial de Programa do PNUD, Ieva Lazareviciute, ter promovido um diálogo com o setor extrativo para o desenvolvimento sustentável, o conselheiro do Presidente do C40, Rodrigo Rosa, mostrou os desafios que o grupo tem enfrentado para combater as mudanças climáticas que vem acontecendo. O Inter-American Development Bank e a Agência Internacional de Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável são parceiros do C40 e, juntos, eles têm investido amplamente em edifícios verdes, meios de transporte alternativos e criação de ciclovias, no intuito de reduzir o consumo de água e energia. Este trabalho é totalmente voltado para o ODS 11, Cidades e Comunidades Sustentáveis.
O segundo painel, que trata dos Desafios Locais, foi aberto pelo Diretor de Promoção do Desenvolvimento Sustentável da FUNAI, Artur Nobre. Nobre levantou a contribuição dos índios na luta contra o desmatamento e a emissão de carbono.
Ana Cláudia Gesteira, do Programa de Desenvolvimento Territorial de Furnas, falou sobre os desafios que a empresa enfrenta na implantação de seus empreendimentos e a sua responsabilidade social que ela tem sobre o impacto ambiental que ela pode causar. Um exemplo citado foi a desativação do Aterro Sanitário de Gramacho, onde famílias que tiravam sua renda do lixo foram afetadas. Segundo ela, uma ferramenta muito importante para o seu trabalho é o Atlas Brasil; ele é essencial para mapear as cidades e identificar as suas necessidades.
Pedro Vilella, da Eletrobras, exemplificou as falas de Nobre e de Gesteira mostrando a contribuição dos índios caiapós para a preservação do Xingu. A relação que a empresa tem com os índios surgiu por conta da construção de uma usina hidrelétrica na bacia do Rio Xingu. Segundo ele, esse é um projeto um tanto controverso, justamente por causa do impacto ambiental que ele causa. Por conta disso, fizeram uma parceria com o FUNAI e outras diretrizes indígenas na região, onde a empresa se compromete na fiscalização e proteção dos territórios, valorização cultural, investimento em barcas, campanhas pelo bem-estar dos índios, entre outros.
A secretária Nacional de Proteção e Defesa Civil, Maria Cristina, fez uma apresentação sobre a gestão de riscos e desastres. “Até os anos 90, havia estratégias apenas para responder desastres, agora também há uma política de se tratar o risco, seja ele natural, biológico, social ou tecnológico”.
Dimitri Guimarães, de Furnas, mostrou os grandes parques de energia renovável que o núcleo possui e falou sobre o Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Tecnológica voltado para a eficiência energética que a empresa possui.  Logo após isso, Ludmila Diniz, do PNUD, falou sobre a transformação do mercado de eficiência energética do Brasil, com o E3 (Eficiência Energética em Edifícios).
Falando de águas em um contexto local, Jair Kotz, de Itaipu, promoveu o programa Cultivando Água Boa, um projeto socioambiental da usina que visa prevenir as alterações climáticas que põem em risco a sobrevivência humana, diretamente ligada com a água. Adriana Leles, do SANASA, falou de como é importante a articulação entre empresas e sociedade civil para o alcance do ODS 6, Água Limpa e Saneamento.
No contexto ligado ao desenvolvimento sustentável no qual deve ser atribuído e colocado em práticas ensinamentos na rotina de jovens  sobre as ODS que são de suma responsabilidade para todos em especial para essa nova geração, Mônica Villarindo, representante de voluntários da ONU ressaltou em uma entrevista : “ A juventude é fundamental e essencial para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, tanto para garantir o futuro, então é muito importante envolver a juventude em todos aspectos dessa transformação.”
Para encerrar o evento, os Jovens Jornalistas passaram uma mensagem emocionante de empoderamento a juventude contando os objetivos do programa, propondo a se engajar por um presente e um futuro melhor. O projeto é fruto da parceria do CIEDS com o Centro RIO+ e busca escrever histórias de mobilização e inovação social em prol do desenvolvimento sustentável visando inspirar outros jovens , criando assim um novo olhar da cidade do Rio de Janeiro focado em experiências da juventude.
Esse seminário é só o primeiro de uma série sobre a Localização dos ODS no Brasil que estará passando pelo país. Assim como “Planeta” foi o assunto dessa vez, os próximos serão voltados para os eixos restantes: Pessoas, Paz, Prosperidade e Parcerias.

Entrevista com a banda Coronel Soares

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Por Victor Hugo

No dia 10 de julho, o Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável do PNUD (Centro Rio+) promoveu no Centro Cultural Donana uma oficina sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) para músicos e artistas no município de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Rio de Janeiro.

O workshop tinha como objetivo inspirar a reflexão e a ação em prol dos ODS e dar visibilidade às iniciativas artísticas e culturais na Baixada, que apesar de ter um baixo índice de desenvolvimento humano, tem tomado cada vez mais força entre a juventude no cenário artístico.

Um dos grupos que estiveram presentes no evento foi a banda de indie rock Coronel Soares. Formada em 2014 por Brendo Mello (vocalista), Edgard de Portella (baixista), Rubens (guitarrista) e Jhanio do Carmo (baterista), com bastante referência dos anos 70, Coronel Soares faz um som autêntico e reflexivo.

COMO NASCEU “CORONEL SOARES”?

B: Coronel Soares foi uma ideia do Edgard. A gente estava pensando em nomes e não achava um legal, aí ele pensou em Coronel Soares. Coronel Soares é o nome da rua onde eu moro. Na hora eu fiquei “não vou dizer que eu gostei, mas vamos nessa”. Tem uma história, a gente começou a tocar naquela rua e aí foi ficando, a galera foi gostando com o tempo, foi aprendendo a amar e hoje em dia a gente ama isso.

PARA VOCÊS, QUAL É A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA?

J: Teve uma época da minha vida em que eu perdi meu pai, na adolescência, tinha 14 anos, estava meio sem direção, com todo problema de adolescente, rebeldia, não saber o que quer, então eu me envolvi com um monte de coisas que não tinha nada a ver, que nem é legal falar… E eu consegui sair dessa maré ruim que tinha pegado graças a música. Ela que me salvou. Até hoje ela fala comigo. Minha biblioteca no computador é tipo uma Bíblia. A música fala contigo. Eu respiro isso, fora de gênero, de ritmo, seja o que for, às vezes um forro, um bolero, um rock, na maioria das vezes, me ajuda, me salva, me tira de problemas dentro da minha cabeça. Conflitos comigo mesmo. A presença dela na minha vida é fundamental. É tudo para mim.

B: A música também fez isso comigo. Teve uma época da minha vida que me afastei da música. Parei de tocar e fiquei nessa zoeira, nessa bagunça, não fazia nada, era só festa final de semana, que é uma coisa que a gente tem aqui a balde. Você quase que não tem acesso à cultura; graças a música, a esses caras aqui (os outros integrantes da banda), a gente está vivo. A gente está fazendo algo sabendo que é bom.

E: Para mim, música é uma terapia.

COMO FOI O WORKSHOP?

B: Eu acho que foi boa, porque a Baixada estava um pouquinho esquecida, os olhares não estavam mais para cá e isso foi bacana para os músicos, para trazer mais ânimo, mais oportunidade, porque música é difícil para caramba e agora você vai ter mais uma vitrine; além da iniciativa, porque a gente vai estar abordando temas que tem que chegar nas pessoas para trazer uma mudança na sociedade, uma mudança de pensamento, e acontecer alguma coisa de bom por aqui, porque está precisando.

DURANTE A OFICINA, FOI PROPOSTO AOS MÚSICOS QUE COMPUSESSEM MÚSICAS COM O TEMA SUSTENTABILIDADE; O QUE VOCÊS PREPARARAM?

B: Na verdade, essa música, que é composição do Edgar, já estava pronta. O grupo que nós fizemos parte disseram que poderíamos estar trazendo músicas nossas que já tiverem prontas que se encaixem com alguma das ODS, então apresentamos essa música, a galera curtiu e resolvemos experimentar ela.

NO QUE VOCÊS SE BASEAIM PARA CRIAR AS SUAS MÚSICAS?

B: A nossa música não é baseada, ela surge inconscientemente, depois a gente percebe que se encaixa em alguma situação da nossa vida, muitas vezes nem é proposital. E se a gente pensasse em fazer uma música pensando nisso, iria sair muito mecânico e chato. Dessa forma sai uma coisa mais poética.

VOCÊS ESTÃO TRABALHANDO NO ÁLBUM DE LANÇAMENTO, CERTO?

J: Sim, fazendo pouco show, devido ao projeto do disco. São 10 canções (…), estão todas quase prontas, por isso estamos com a agenda meio sem divulgação, para dar prioridade a esse disco. A coisa é boa. Nos apresentamos outro dia e a galera curtiu para caramba. Não é porque é minha banda, não, mas a música está ótima!

QUAL É O CONCEITO DO ÁLBUM?

B: Uma coisa que eu posso dizer que resume é “Grito Inconsciente”. (…) é o que você está dizendo sem perceber. É o que o seu corpo pede. Os avisos que a gente tem. As nossas incomodações que a gente não percebe…

QUAIS SÃO AS REFERÊNCIAS DA BANDA?

J: É unanimidade entre a gente: são os anos 70 mesmo. A gente é um bando de velho preso em corpo de moleque novo (risos).

O álbum debut da banda ainda não tem previsão de lançamento.

‘Crossover’ no CIEDS: Jovens Jornalistas entrevistam Jovens Aprendizes

 

Por Guilherme de Moura 

Qual a melhor maneira de se avaliar o resultado de um projeto? Perguntando aos participantes se aquilo que eles esperavam receber foi entregue da forma como eles desejavam. Como saber se um workshop voltado para os jovens conseguiu desenvolver todo o seu potencial e inspirou-lhes a colocar suas idéias em prática, além de dar vazão à criatividade característica de um jovem? Indagar a eles – para quem tudo foi planejado – é a melhor ideia quando a intenção é entender qual o resultado final de uma oficina.

Os dois grupos marcaram presença no workshop Pense Grande, da Fundação Telefonica, no dia 5 de setembro. A finalidade do projeto era dar vazão à criatividade dos jovens e ensiná-los a preparar uma oficina através da prática. Os jovens foram separados em grupos e receberam tarefas que deveriam ser realizadas para que a oficina transcorresse normalmente. Pelo resultado, se depender dos jovens do CIEDS para preparar uma oficina, tudo vai correr perfeitamente.

A entrevista teve como objetivo entender qual é a visão dos jovens em relação à oficina. Ninguém melhor do que os próprios participantes para opinar sobre o evento. Foi nesse contexto que os Jovens Jornalistas realizaram uma entrevista com Marcos Silva e Tainá Galdino, Jovens Aprendizes do CIEDS. Perguntas bem diretas e sucintas permitiram que os dois jovens de 19 anos pudessem se expressar da melhor forma.

Perguntada sobre suas expectativas em relação ao projeto, Tainá responde que a palestra não deixou a desejar. “Eu não imaginava que os ensinamentos e o conhecimento seriam passados daquela forma. Ao mesmo tempo em que nós estávamos aprendendo o próprio conteúdo, também estávamos aprendendo a ser novos formadores, a passar aquele conteúdo para outras pessoas futuramente.” E questionada sobre sua opinião acerca de trabalhar voluntariamente, ela destaca a importância de não trabalhar somente por algum interesse, mas por amor a alguma causa. “Não importa onde, pode ser na faculdade, na rua ou na sua comunidade mesmo, o trabalho voluntário é enriquecedor. É um compartilhamento de conhecimento. O pouco que eu sei, divido com o próximo, o que gera um ciclo sem fim.” Complementando o que Tainá disse, Marcos afirma que “É algo sentimental. Você não faz por dinheiro, mas faz por amor, por vontade.”

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Deixando um pouco de lado a opinião dos jovens, a entrevista se dirige para outra área: o impacto que projetos como o Pense Grande podem ter nas comunidades. A questão agora é sobre problemas que podem ser resolvidos a partir do Pense Grande. Tainá afirma que, certamente, oficinas com esse caráter geram impacto. Para ela, o compartilhamento das informações é muito importante por gerar um “ciclo sem fim” onde um passa conhecimento para o outro. Marcos tem uma opinião semelhante. “É uma rede de informação, porque o que a gente aprende, a gente vai repassar. Uma informação parada não é informação, a gente vai estar sempre ensinado, passando pro próximo, e o próximo adiante, concretizando essa continuidade.”

Existem muitas boas ideias nas cabeças dos jovens do Brasil, basta alguém saber aproveitar. E é isso que o Pense Grande tenta fazer.     A oficina, segundo os jovens, foi bem proveitosa, e permitiu que o máximo de conhecimento fosse extraído. Tudo o que é necessário agora é que esses jovens coloquem suas ideias em prática e cresçam.

Pensando em Economia Climática no Global Summit

Por Ana Beatriz Vieira 

Uma semana atrás, de 23 até 28 de agosto, ocorreu ’’The Global Summit’’ no Rio de Janeiro com seu quinto encontro.

O Evento foi inaugurado entre 16-18 de novembro de 2008,em San Francisco,Califórnia. Ele ocorre a cada dois anos e tem o objetivo de incentivar cidadãos, empresas e organizações a trabalhar juntas durante o ano inteiro para co-criar um futuro sustentável.

Ele foi dividido em diferentes temas: saúde, educação, cidades sustentáveis e clima. As pessoas participavam do tema que mais se identificavam.

O tema Clima abordou economia circular e contou com a presença de alguns palestrantes falando sobre economia circular e outros representantes de alguns projetos e micro-empresas que colaboram para o desenvolvimento sustentável. A seguir você irá conhecer um dos projetos.

Projeto amável

Chegando ao Brasil os portugueses perceberam que havia muitas palmeiras Juçara e na mesma hora associaram ao palmito comestível que vem desta arvore. Com isso veio o corte excessivo de arvores.

O problema é que a palmeira só tem um tronco e o palmito é extraído do miolo dele. À colher o alimento a planta não desenvolve mais.

O projeto amável nasceu com o objetivo de plantar mais dessas palmeiras, típicas da Mata Atlântica, só que desta vez aproveitando o fruto produzido e assim resgatar a arvore que esta entrando em extinção.Gerar renda permanente a quem planta e colaborar para a suavização ou com o termino da pegada de carbono são mais alguns dois dos objetivos do projeto.A organização ainda oferece palestras e aulas práticas para o público.

O fruto da Juçara é muito parecido com o açaí, mas o que diferencia os dois é a quantidade antioxidante que é até quatro vezes maior,o percentual de ferro é 50% mais alto e algumas pessoas alegam que o gosto chega ser melhor

Além de fazer bem ao ser humano, essa arvore é um bem muito importante para a Mata Atlântica, pois ela atrai várias espécies de animais que se alimentam de seu fruto e espalham sementes.

‘’Meu sonho é um dia poder levar esse fruto para as escolas públicas pois geralmente os estudantes forem de anemia e nutrientes deste fruto podem ajudar a acabar com essa doença’’ disse um dos organizadores, André Mello.

E por fim nós devemos ter consciência de que o mundo é o nosso lar, e precisamos mantê-lo próprio para que todos os seres vivos que aqui habitam possam viver com dignidade.

A mulher negra no Rio de Janeiro como agente de mudança com ONG Criola

Por Eliesio Moraes

CRIOLA é uma organização fundada em 1992 (ativa há 24 anos) e conduzida por mulheres negras. Sua atuação é toda focada pela na luta das igualdades de gênero, racial e étnicos, e em uma perspectiva de integralidade mundial.

Assim, orientando mulheres, adolescentes e meninas negras para o desenvolvimento de ações voltadas às melhorias das condições de vida dos afrodescendentes, em especial das mulheres negras.

Buscando a inclusão de negras como agentes de mudança, contribuindo para a construção de uma sociedade fundada em valores de justiça e lealdade, em que a contribuição da mulher negra seja acolhida como um bem humanitário.

Uma das fundadoras da Criola, explica o motivo para a criação da ONG:

“O motivo é mostrar a bela história do povo negro, das culturas, dos costumes entre outros.Outro motivo é dar continuidade ao costume das mulheres afro, que desde antigamente faziam organizações em defesa dos seus direitos,” disse Jurema Werneck, de 54 anos.

A Criola junto com as mulheres procuram criar e executar novas formas para a luta política de grupos de mulheres negras, buscando trazer autoconhecimento dos seus direitos como cidadãs, e continuando a formar líderes feministas, mais potentes para a luta a favor da mulher negra.

Com sede no Centro da cidade do Rio de Janeiro (RJ), assim, levando para outros estados palestras e atividades em diversos lugares tanto, em solo nacional quanto internacional.
A organização é um apoio para a construção de uma nova sociedade, mostrando razão para lutar contra intolerância, o sexismo, o racismo e a homofobia.

A entender que existe várias possibilidades de luta, mas o objetivo é sempre em um futuro melhor, mostrando que enquanto houver indiferença em relação a realidade da desigualdade o mundo não avança. Que apenas nos sirva de ideia, que elas são mais do que simples mulheres, são guerreiras, são audaciosas, resilientes e acima de tudo poderosas.